A influência da mastigação e dos hábitos de sucção no crescimento das arcadas dentárias da criança
A amamentação natural é importante, pois o leite materno possui todos os nutrientes que o bebê necessita para o crescimento até o sexto mês de vida. Previne a criança contra doenças, favorece a respiração nasal e permite um crescimento harmônico das arcadas dentárias para um correto posicionamento dos dentes.
A amamentação natural é o primeiro estímulo para o crescimento mandibular, onde o bebê irá satisfazer ao mesmo tempo sua fome e a necessidade emocional de sugar. As consultas odontológicas durante a gestação são importantes para manter a saúde bucal da mãe durante esse período e para receber as orientações adequadas com os cuidados do bebê, em relação a amamentação, ao uso de chupetas, mamadeiras e a higiene bucal.
As crianças, as quais o aleitamento materno não é possível, a mamadeira será introduzida, onde a fome é saciada mais rapidamente e não requer grande esforço ao sugar. Com isto, o bebê poderá sentir necessidade de exercitar a musculatura da boca mostrando uma tendência à instalação de hábitos de sucção como chupeta e dedo.
O período ideal da primeira consulta ao Odontopediatra deve ser por volta de 1 ano de idade, para acompanhar o nascimento dos dentes de leite e avaliar se a criança esta tendo um bom crescimento e desenvolvimento da face.
As mães receberão orientações com relação à dieta e a mastigação, mostrando a importância de uma alimentação mais dura e consistente que irá proporcionar um bom crescimento das arcadas dentárias. Caso a criança use chupeta e/ou mamadeira, o profissional irá avaliar este uso, e orientar qual a maneira mais adequada.
As chupetas devem ser oferecidas como um pacificador, com o intuito de acalmar a criança em momentos de maior agitação. Deve-se vincular o hábito ao sono, evitando o uso contínuo.
Os modelos indicados de chupetas são os de bicos anatômicos (ortodônticos) que apresentam um formato ideal. As chupetas inadequadas apresentam o formato semelhante a uma cereja e não permitem o correto posicionamento da língua, aumentando os riscos de alterações no posicionamento dos dentes.
Os bicos das chupetas podem ser de látex ou silicone, e seu tamanho deve ser escolhido de acordo com a idade e o tamanho da boca da criança. Deve-se dar preferência para as marcas de boa procedência.
As crianças as quais não são oferecidas as chupetas e que ainda apresentam a necessidade emocional de sugar, podem vir a desenvolver o habito de sugar o dedo. A experiência nos mostra que este hábito é mais difícil de ser abandonado, enquanto o da chupeta pode mais ser bem controlado pelos pais ou responsáveis.
O acompanhamento semestral do Odontopediatra a partir de 1 ano de idade é fundamental pois este é responsável pela adequada orientação quanto ao uso da mamadeira, tipos de bicos e hábitos de sucção, devendo acompanhar também a época da remoção destes, bem como as possíveis alterações de arcada.
O profissional cria um vínculo de confiança com a criança e nesta fase é fundamental a sua participação na orientação quanto à melhor forma para a retirada do hábito, que deve ser de maneira gradativa, respeitando a individualidade e o momento da criança. Para isto é aconselhável que os pais tenham paciência, carinho e persistência.
Quanto mais limitado for o uso da chupeta, mais fácil será sua remoção que deve ocorrer por volta dos 30 meses de idade (entre 2 e 3 anos). Além desse período, o hábito poderá trazer alterações para a arcada dentária.
O Odontopediatra irá orientar a remoção, pois caso a criança já apresente uma alteração de mordida e tenha um tipo facial favorável, poderá haver uma autocorreção se o hábito for eliminado na época correta.
Por outro lado, crianças de 4 a 5 anos de idade que persistem com o habito e/ou com alterações nas arcadas dentárias, deve procurar um Odontopediatra que irá avaliar a oclusão da criança, bem como corrigir e preparar as bases ósseas, através do uso de aparelhos removíveis, muito bem indicados nesta época.
Os pais devem estar cientes que a “criança troca os dentinhos e não as arcadas”, que devem apresentar condições favoráveis para receber os dentes permanentes, que começam a nascer por volta dos 6 anos de idade.
Lúcia Coutinho Porto